
Sei que a vida é assim... existem coisas que não são para entender e sim para guardá-las na memória.
Lembro-me como era mágico o dia em que eu visitava a casa do meu avô paterno. Quando minha mãe falava que iríamos visitá-lo,eu pulava, sorria... ainda era uma criança e diferente dos meus irmãos eu trocava qualquer desenho na TV para ficar embaixo do pé de cacau, ouvindo meu avô contando histórias.
Sim, era mágico!
A gente chegava lá e vovÔ vinha me abraçar primeiro... era um amor recíproco. As palavras ainda moram no meu coração... "minha loirinha , você veio!"
Meu avÕ era um homem sofrido, sem muitas oportunidades... e um homem rico de sabedoria... contava histórias que nunca li em livros, ele as inventava e criava um mundo de fantasias em suas palavras.
Era um pé de cacau que ele mesmo plantou, quando veio de MOrtugaba/BA.
Meu lugar era o principal: ao lado de vovÔ. Ele abria o fruto com um canivete que tinha na cintura e destribuía os gomos
e ficávamos ali...saboreando o cacau e ouvindo seus contos.
Era o momento em que ele sorria e colocava pra fora toda sua alma.
Hoje eu entendo como aquilo tudo me envolveu por dentro... como uma sementinha. Somos parecidos demais... e quando escuto as vozes do meu silêncio, sinto um aperto no peito... uma vontade de abraçá-lo outra vez e me sentir pequena ao seu lado...
saudade do meu avÔ Saturnino Alves David.




